Quem sustenta o cuidado?

Foto: www.kaboompics.com @ Pexels

Em Portugal, o cuidado às pessoas idosas acontece maioritariamente no espaço familiar.

Grande parte do apoio diário, nas tarefas básicas, na gestão da saúde e no acompanhamento, é assegurado por cuidadores informais. Este contributo tem uma expressão económica significativa, estimada em cerca de 5,9 mil milhões de euros por ano, mas permanece em larga medida fora das estatísticas formais.

As respostas organizadas existem, mas são limitadas. O sistema assenta sobretudo no setor social, responsável pela maioria dos cuidados formais, frequentemente com recursos financeiros restritos e elevada pressão sobre profissionais. Parte relevante do financiamento público que sustenta estas respostas, cerca de 37%, regressa ao Estado sob a forma de impostos e contribuições.

O modelo resulta desta sobreposição: instituições com capacidade limitada e famílias que asseguram o essencial.

Mas essa base está a mudar. As famílias são mais pequenas, há menos disponibilidade para cuidar e aumenta o número de pessoas em idades mais avançadas, muitas vezes com necessidades mais complexas.

O cuidado continua a acontecer, mas assenta cada vez mais numa base em transformação, colocando em causa a capacidade do modelo atual de acompanhar essa evolução.

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Este texto baseia-se nas conclusões do estudo Economia do Cuidado das Pessoas Idosas em Portugal, desenvolvido para o Conselho Económico e Social.

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