O cuidado também é economia
Imagem: Monstera Production @ Pexels
O cuidado às pessoas idosas é frequentemente visto como uma resposta social. Mas há uma dimensão económica que raramente entra na discussão.
O setor dos cuidados formais representa uma parte relevante da atividade económica, gerando emprego, remunerações e valor acrescentado. Em Portugal, corresponde a cerca de 0,9% do valor acrescentado bruto e a mais de 1,6% das remunerações, com impacto particular em regiões mais envelhecidas.
Este peso tende a crescer à medida que aumenta o número de pessoas idosas e a procura por respostas mais continuadas, reforçando a relevância deste setor na organização económica e social.
É uma área intensiva em trabalho, com necessidades crescentes e pouca margem para ganhos de produtividade. Ao mesmo tempo, enfrenta dificuldades em atrair e reter profissionais, num contexto de elevada exigência e pressão sobre as estruturas existentes.
Apesar destas fragilidades, o cuidado gera valor económico e social. Sustenta emprego local, contribui para a coesão territorial e permite que muitas pessoas permaneçam no seu meio habitual de vida.
Ainda assim, o modelo atual assenta num equilíbrio exigente, entre instituições com recursos limitados e famílias que continuam a assegurar uma parte significativa do apoio. Sem este sistema, uma parte relevante da sociedade simplesmente deixaria de funcionar.
–
Este texto baseia-se nas conclusões do estudo Economia do Cuidado das Pessoas Idosas em Portugal, desenvolvido para o Conselho Económico e Social.