Cuidar é cada vez mais exigente

Foto: Zukhra Kholiavskaia @ Pexels

O envelhecimento da população está a acentuar a pressão sobre os sistemas de cuidado. Em Portugal, o número de pessoas com 65 e mais anos tem vindo a aumentar de forma consistente, com particular incidência nos grupos com mais de 80 anos, onde as necessidades de apoio são mais intensas.

Este aumento coloca desafios que não são apenas quantitativos, mas também qualitativos.

Uma parte crescente das pessoas idosas vive com múltiplas condições de saúde e níveis de dependência que exigem acompanhamento regular e respostas continuadas. O cuidado deixa de ser pontual para se tornar prolongado e, muitas vezes, mais complexo.

Neste contexto, o cuidado vai além das tarefas do dia a dia, exigindo respostas que integram cuidados de saúde, apoio social e acompanhamento continuado.

O sistema atual não foi desenhado para responder a esta complexidade de forma integrada. A articulação entre diferentes respostas continua a ser limitada, dificultando uma abordagem mais eficaz e contínua. Por isso, a intensidade do cuidado aumenta. Exige mais tempo, mais competências e maior coordenação entre quem cuida, dentro e fora das estruturas formais.

O cuidado continua a ser assegurado, mas num contexto em que não cresce apenas em número, cresce também em exigência.

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Este texto baseia-se nas conclusões do estudo Economia do Cuidado das Pessoas Idosas em Portugal, desenvolvido para o Conselho Económico e Social.

 

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