Viver mais não chega: o paradoxo da longevidade em Portugal

Foto de Wolfgang Weiser para Pexels

Portugal tem vindo a ganhar anos de vida. Nas últimas décadas, os progressos na medicina e nas condições de vida contribuíram para um aumento consistente da esperança média de vida. À primeira vista, é uma boa notícia — e é. Mas há um detalhe que muda a leitura.

Os anos que ganhámos nem sempre são vividos com saúde.

Em Portugal, a esperança de vida aos 65 anos é de, aproximadamente, mais duas décadas. No entanto, apenas uma parte relativamente pequena desse tempo é passada sem limitações significativas.

Este desfasamento entre viver mais e viver melhor é um dos principais desafios das sociedades longevas.

O problema não está apenas na quantidade de anos, mas na forma como esses anos são vividos. Doenças crónicas, limitações funcionais e perda de autonomia tornam-se mais frequentes com o avançar da idade.

As implicações são claras: para as pessoas, uma experiência de envelhecimento mais exigente; para os sistemas públicos, maior pressão e necessidade de adaptação.

A pergunta deixa de ser “quanto vivemos” e passa a ser “como vivemos”.

A longevidade só é um verdadeiro progresso quando se traduz em mais anos de vida com saúde, autonomia e qualidade.

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Este texto baseia-se nas conclusões do estudo Esperança Média de Vida e Anos de Vida Saudável em Portugal, desenvolvido para o Conselho Económico e Social.

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