A economia da longevidade. Um motor da sociedade?
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Durante muito tempo, o envelhecimento da população foi visto sobretudo como um problema: mais pressão sobre o sistema de saúde, mais despesa pública, menos população ativa. Mas os dados mostram uma realidade mais complexa — e, em muitos aspetos, mais positiva.
Em Portugal, as pessoas com 50 ou mais anos representam uma parte muito significativa da sociedade e da economia. Mais do que um grupo dependente, são um dos seus principais motores. Em 2022, as despesas dos agregados familiares cujo indivíduo de referência tem 50 ou mais anos ultrapassaram os 80 mil milhões de euros, correspondendo a mais de metade do consumo total no país.
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Despesa dos agregados familiares residentes no território económico, por grupo etário do indivíduo de referência, em 2022
Fonte: Cálculos próprios com base em Inquérito às Despesas das Famílias - 2022/2023, INE, e Contas Nacionais, INE.
Mas o impacto não se fica por aqui. Quando se consideram os efeitos na cadeia económica — produção, emprego e rendimentos — este grupo está associado a cerca de um terço do PIB nacional e a mais de um quarto do emprego.
Este contributo, no entanto, não é uniforme. As pessoas entre os 50 e os 69 anos continuam a ter um papel particularmente relevante, combinando níveis elevados de atividade económica com capacidade de consumo. Ao mesmo tempo, persistem diferenças importantes dentro deste universo, influenciadas por fatores como o rendimento ou a escolaridade.
A chamada “economia da longevidade” não é apenas uma consequência demográfica. É uma transformação estrutural que atravessa setores como o comércio, o turismo, a habitação, os serviços e até o sistema financeiro.
Reconhecer este papel é essencial para reposicionar o debate. A longevidade não deve ser vista apenas como um desafio para as políticas públicas, mas também como um ativo económico e social com potencial para gerar valor, inovação e novas oportunidades.
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Este texto baseia-se nas conclusões do estudo Economia da Longevidade em Portugal, desenvolvido para o Conselho Económico e Social.