Economias dentro da longevidade
Falar da população com mais de 50 anos como um grupo homogéneo é um erro comum — e limitador. A realidade é bem mais diversa, com perfis económicos, sociais e culturais bastante distintos.
Por um lado, encontramos uma parte significativa da população com forte capacidade de consumo. Em muitos casos, são pessoas ainda ativas profissionalmente, com estabilidade financeira e níveis de despesa acima da média, sobretudo entre os 50 e os 69 anos.
Por outro, existem situações de maior vulnerabilidade, particularmente nas idades mais avançadas. A partir dos 70 anos, a redução de rendimentos e a maior dependência de apoios públicos tornam-se mais frequentes, refletindo desigualdades acumuladas ao longo da vida.
Estas diferenças são influenciadas por vários fatores — como o nível de escolaridade, o rendimento, o território ou o género. Por exemplo, agregados com maior escolaridade tendem a apresentar níveis de despesa significativamente superiores, enquanto os que têm menor nível de educação ficam bastante abaixo da média.
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Despesa total anual média dos agregados familiares (por adulto equivalente) em que o indivíduo de referência tem 50 ou mais anos, por nível de escolaridade do indivíduo de referência, em 2022
Fonte: Cálculos próprios com base em Inquérito às Despesas das Famílias - 2022/2023, INE.
Também o território faz diferença. Regiões como a Área Metropolitana de Lisboa concentram maior capacidade de consumo, enquanto outras, como as Regiões Autónomas da Madeira e dos Açores, apresentam níveis mais baixos, revelando assimetrias relevantes para políticas públicas e estratégias de mercado.
A economia da longevidade é, por isso, plural. Não existe um único perfil, mas várias realidades que exigem respostas diferenciadas — na oferta de serviços, na definição de políticas e na forma como se pensa o envelhecimento.
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Este texto baseia-se nas conclusões do estudo Economia da Longevidade em Portugal, desenvolvido para o Conselho Económico e Social.