A economia da longevidade representa 32% do PIB português

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Portugal está a tornar-se uma sociedade cada vez mais longeva. Cerca de 45% da população tem 50 ou mais anos e este grupo continuará a crescer nas próximas décadas. A longevidade está, por isso, a transformar não apenas a demografia, mas também a economia.

Os agregados familiares com 50 ou mais anos representam cerca de 55% do consumo das famílias portuguesas. Quando se consideram os efeitos directos, indirectos e induzidos desse consumo, o impacto associado à população 50+ corresponde a cerca de 32% do PIB e 28% do emprego.
A dimensão económica da longevidade não se resume ao consumo. À medida que a esperança de vida aumenta, prolonga-se também a participação económica das pessoas. Entre os 50 e os 59 anos, muitos indivíduos continuam a ser contribuintes líquidos para o sistema público, mostrando que a relação entre envelhecimento, contribuições e transferências sociais é mais complexa do que uma simples oposição entre população activa e população dependente.

Também os padrões de consumo estão a mudar. Uma sociedade mais longeva apresenta uma procura crescente por serviços ligados à saúde, bem-estar e qualidade de vida, ao mesmo tempo que sectores como o comércio, o turismo, a habitação e os serviços são influenciados pela transformação demográfica.
A população com mais de 50 anos não constitui, contudo, um grupo homogéneo. Rendimento, escolaridade e condições de vida influenciam tanto as oportunidades de participação económica como os padrões de consumo. Famílias com maior escolaridade e rendimento tendem a apresentar níveis mais elevados de participação económica e consumo.

A educação e a aprendizagem ao longo da vida assumem, neste contexto, uma importância crescente. Níveis mais elevados de escolaridade estão associados a maior participação económica, enquanto a formação contínua será cada vez mais relevante numa sociedade em que a vida profissional e pessoal se prolonga.

A longevidade está, assim, a produzir efeitos em várias dimensões da economia. Para além de representar um desafio demográfico, cria novos mercados, novas necessidades e novas oportunidades de inovação. Saúde, cuidados, habitação, serviços pessoais e bem-estar são algumas das áreas onde essa transformação já se faz sentir.

A chamada economia da longevidade é, por isso, uma questão económica estrutural. Compreender quem participa, quem consome, como se distribuem as oportunidades e que novos mercados estão a surgir será fundamental para preparar as políticas públicas e as empresas para uma sociedade que vive mais tempo.

Este texto baseia-se nas conclusões do estudo A Economia da Longevidade em Portugal, desenvolvido para o Conselho Económico e Social.

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