Portugal ocupa o 23.º lugar na União Europeia em anos de vida saudável entre as mulheres
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Portugal apresenta uma esperança de vida elevada aos 65 anos, mas a posição muda significativamente quando se considera o número de anos vividos com saúde.
Em 2022, as mulheres portuguesas aos 65 anos tinham uma esperança de vida de 22,1 anos, mas uma esperança de vida saudável de apenas 7,3 anos. Nos homens, os valores eram de 18,7 anos de esperança de vida e 8,6 anos de vida saudável. Isto significa que, entre os anos de vida que lhes restam aos 65, cerca de 33% são vividos com saúde pelas mulheres e 46% pelos homens.
A comparação europeia torna o contraste particularmente evidente. Na esperança de vida aos 65 anos, Portugal ocupava em 2022 a 4.ª posição entre os 27 países para as mulheres e a 10.ª para os homens. Na esperança de vida saudável, a posição portuguesa descia para o 23.º lugar nas mulheres e o 17.º nos homens.
O estudo procura explicar este desfasamento entre viver mais anos e viver esses anos com saúde. Para isso, propõe uma análise que vai além dos indicadores tradicionais e considera a saúde nas suas dimensões física, mental, cognitiva e social. São igualmente analisados indicadores objectivos e subjectivos, incluindo morbilidade, funcionalidade e saúde autoavaliada.
A dimensão social e económica também é relevante. Rendimento, educação, actividadefísica e relações sociais influenciam a saúde ao longo da vida e ajudam a explicar desigualdades na esperança de vida saudável. A análise dos determinantes sociais, económicos e comportamentais é, por isso, parte importante da compreensão do envelhecimento em Portugal.
Existe ainda uma dimensão de género que merece atenção. As mulheres vivem mais anos, mas acumulam também mais anos com problemas e limitações de saúde. Os dados apontam para uma situação particularmente desfavorável entre as mulheres mais velhas, tornando relevante a adopção de políticas sensíveis às desigualdades acumuladas ao longo do percurso de vida.
A análise mostra, contudo, que a relação entre doença e funcionalidade não é linear. Apesar do aumento dos diagnósticos de doenças crónicas, as limitações funcionais diminuíram nos últimos anos. Esta evolução sugere que a intervenção adequada pode fazer diferença e que as políticas de saúde devem olhar não apenas para a doença, mas também para a capacidade funcional das pessoas.
A prevenção assume, por isso, um papel central. O estudo aponta para a importância da prevenção, da melhor gestão das doenças crónicas e do combate às desigualdades, defendendo políticas integradas e orientadas para a funcionalidade. A actividade física surge igualmente como uma das estratégias mais custo-efectivas em saúde pública.
Viver mais é uma conquista. O desafio seguinte é garantir que uma parte cada vez maior desses anos seja vivida com saúde, autonomia e qualidade de vida.
Este texto baseia-se nas conclusões do estudo Esperança Média de Vida e Anos de Vida Saudável, desenvolvido para o Conselho Económico e Social.