“Novas Sociedades Longevas” vai estudar impacto do envelhecimento em Portugal e Espanha
Luís Pais Antunes, Presidente do CES. Foto: Filipe Amorim
Iniciativa promove a análise dos impactos do envelhecimento e procura apoiar a definição de políticas públicas para sociedades mais longevas
O envelhecimento da população é uma das transformações mais profundas das sociedades contemporâneas. Em Portugal e em Espanha, esta realidade coloca desafios concretos às políticas públicas, à economia e à organização social, exigindo novas respostas e uma abordagem mais integrada.
Foi neste contexto que o Conselho Económico e Social (CES) promoveu, no dia 12 de dezembro de 2024, no Teatro Thalia, em Lisboa, a sessão “Sociedades Longevas – Impactos e Oportunidades Sociais”, assinalando o lançamento desta iniciativa.
Na abertura, o presidente do CES, Luís Pais Antunes, destacou a centralidade da longevidade no debate público, sublinhando a necessidade de abordar este fenómeno de forma transversal, envolvendo áreas como o trabalho, a proteção social, a saúde e os cuidados de longa duração.
A sessão contou também com a participação de Juan Martín, coordenador do Centro Internacional sobre o Envelhecimento da Universidade de Salamanca, que apresentou a experiência desenvolvida naquele contexto e o enquadramento europeu da investigação nesta área.
A iniciativa integra-se no projeto ibérico “Novas Sociedades Longevas: o espaço transfronteiriço diante do seu futuro”, desenvolvido pelo CES, pelo Instituto Politécnico de Bragança e pela Fundação Geral da Universidade de Salamanca, com financiamento do programa europeu Interreg. O projeto decorre até 2026 e tem como objetivo aprofundar o conhecimento sobre o impacto da longevidade nas sociedades contemporâneas, contribuindo para a definição de políticas públicas mais adequadas a este novo contexto demográfico.
O projeto dá continuidade ao trabalho que tem vindo a ser desenvolvido pelo Centro Internacional sobre o Envelhecimento (CENIE), promovido pela Fundação Geral da Universidade de Salamanca, reforçando a cooperação ibérica em torno dos desafios e oportunidades associados à longevidade.
Trata-se de uma das primeiras iniciativas à escala da Península Ibérica dedicada a esta transformação, analisando dimensões como o mercado de trabalho, os sistemas de pensões, os cuidados de saúde, as qualificações ao longo da vida ou a organização social e familiar.
Ao longo da sessão, especialistas de diferentes áreas discutiram três eixos centrais: a economia da longevidade, a economia do cuidado e a relação entre esperança média de vida e anos de vida saudável. O debate centrou-se no contributo das populações mais velhas para a economia, nos desafios associados aos cuidados de longa duração e na necessidade de garantir que o aumento da longevidade se traduz em melhores condições de saúde e qualidade de vida.
Num contexto em que a esperança média de vida tem vindo a aumentar de forma consistente — e em que Portugal e Espanha se encontram entre os países mais envelhecidos da Europa —, a longevidade afirma-se como um dos temas estruturais do presente. A resposta a este fenómeno implica uma adaptação progressiva das instituições, das políticas e dos modelos sociais.
A sessão de lançamento assinala o início de um percurso de reflexão e produção de conhecimento que será desenvolvido ao longo dos próximos anos, com vista à elaboração de pareceres e recomendações que contribuam para a definição de políticas públicas ajustadas a sociedades cada vez mais longevas.